sexta-feira, 13 de julho de 2012

MOVIMENTO DA JUVENTUDE UMBANDISTA SE REUNE COM  O PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA RJ

Átila Alexandre Nunes e o deputado Átila Nunes reuniram-se com o presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e vários outros juízes, solicitando agilização dos processos em tramitação naquela Corte que tratem de casos de intolerância religiosa.

Segundo Átila Alexandre Nunes, coordenador do Movimento da Juventude Umbandista, são muitos os casos em que ofensas aos umbandistas e candomblecistas são gravadas na internet impunemente, já que seus autores acreditam que nada lhes acontecerá. Para ele, isso estimula a violência física, resultando em apedrejamentos de terreiros, como foi o caso de um centro invadido no Rio por seguidores da seita Ministério Geração Jesus Cristo.

Para ele, jovens servem de instrumento de agressão nas mãos de falsos pastores que nada tem a ver com os verdadeiros evangélicos, já que muitos que se dizem pastores são pessoas desempregadas, que vislumbram a possibilidade de ganhar dinheiro com pregações religiosas baseadas na Bíblia. "Para isso, decoram meia-dúzia de salmos e trechos da Bíblia e saem pela rua arregimentando seguidores" – diz Átila Alexandre Nunes.

Segundo o coordenador do Movimento da Juventude Umbandista, "a maioria dessas pessoas é composta por gente simples, pobre, sem perspectiva, para os quais prometem a salvação eterna, uma vida repleta de prosperidade, palavra repetida exaustivamente, já que enche de esperança o fiel que doa dinheiro para a igreja". Átila A. Nunes afirma que esses falsos evangélicos têm uma coisa em comum: pregam que quanto mais dinheiro doarem ao templo (leia-se, o bolso do dirigente), mais prosperidade os incautos fiéis conquistarão.

Átila A. Nunes chama atenção para a gravidade do problema: "no meio daqueles infelizes desesperados que procuram por uma boia de salvação, sempre existem pessoas com distúrbios emocionais, esquizofrênicas, depressivas, muitos doentes mentais. Um falso pastor destilando ódio religioso diariamente na cabeça dessas pessoas - que não conseguem separar o real do imaginário –é um prato cheio para cenas de vandalismo e insanidade. Elas acabam se convencendo de que quem tem imagens de santos em casa são adoradoras do demônio"- destaca.

A preocupação de Átila A. Nunes é que essas pessoas - algumas com problemas mentais - sejam facilmente convencidas a fazerem justiça com as próprias mãos, isto é, tornam-se “justiceiros”, levando a “palavra de Jesus” numa cruzada de ódio e preconceito religiosos.

Depois da reunião com a direção do Tribunal de Justiça, o coordenador do Movimento da Juventude Umbandista, Átila Alexandre Nunes fará um levantamento de todos os processos de intolerância religiosa em tramitação no Estado do Rio. Colocou ainda à disposição dos nossos irmãos de fé, o telefone 21-24610055 para denúncias.
Seu e-mail é atilaalexandrenunes@emdefesadaumbanda.com.br

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Santo Antônio

Santo Antônio de Lisboa, ou como era internacionalmente conhecido como Santo António de Pádua, de seu nome de batismo Fernando Martins de Bulhões, foi um Doutor da Igreja que viveu na viragem dos séculos XII e XIII.

Primeiramente foi frade agostiniano, tendo ingressado como noviço (1210) no Convento de São Vicente de Fora, em Lisboa, indo posteriormente para o Convento de Santa Cruz, em Coimbra, onde fez seus estudos de Direito. Tornou-se franciscano em 1220 e viajou muito, vivendo inicialmente em Portugal, depois na Itália e na França. No ano de 1221 passou a fazer parte do Capítulo Geral da Ordem de Assis, a convite do próprio Francisco, o fundador, que o convidou também a pregar contra os albigenses em França. Foi transferido depois para Bolonha e de seguida para Pádua, onde morreu aos 36 (ou 40) anos.

Sua fama de santidade o levou a ser canonizado pela Igreja Católica pouco depois de falecer, distinguindo-se como teólogo, místico, asceta e sobretudo como notável orador e grande taumaturgo. Santo António de Lisboa é também tido como um dos intelectuais mais notáveis de Portugal do período pré-universitário. Tinha grande cultura, as referências ilustrativas que apresentava em seus sermões indicam que ele estava familiarizado com as obras de Plínio, o Velho, Cícero, Sêneca, Boécio, Galeno e Aristóteles, entre outros autores clássicos, sendo versado em diversos aspectos das ciências profanas. Seu grande saber o tornou uma das mais respeitadas figuras da Igreja Católica de seu tempo. Foi o primeiro Doutor da Igreja franciscano, e seu conselho era buscado pelo próprio São Francisco. São Boaventura disse que ele possuía a ciência dos anjos.


Sua pregação, seus escritos e a presença contemporânea de sua obra

Entre suas várias qualidades, chamou a atenção de seus contemporâneos seu admirável dom como pregador. Muitas descrições de época referem o fascínio que sua fala exercia sobre as multidões de pessoas simples e também sobre clérigos doutos, e embora o efeito de sua oração a viva voz não possa mais ser recuperado, seu estilo e os conteúdos que abordava podem ser conhecidos em parte através dos 77 sermões que sobreviveram e constam em sua obra publicada em edição crítica, Sermões Dominicais e Festivos, e que são considerados autênticos, conforme disse José Geraldo Freire. São textos eloquentes, persuasivos, cheios de zelo messiânico, sendo frequentes a defesa do pobre e a reprimenda do rico, e o combate às heresias de seu tempo, como as dos albigenses e valdenses, com uma eficácia tanta que lhe foi dado o apelido de malleus hereticorum (o martelo dos heréticos).


Santo Antônio na Umbanda - Sincretismo: Ogum x Exu

Na tradição católica, de acordo com historiadores, Santo Antônio foi assentado como praça da Infantaria portuguesa por ter intercedido no ‘milagre’ da vitória sobre as forças espanholas e francesas, chegando à patente de Tenente-Coronel.

No Brasil, ‘auxiliou’ nas lutas contra o Quilombo dos Palmares (pela Capitania de Pernambuco) e a esquadra de corsários franceses de Duclerc (na Capitania do Rio de Janeiro), ficando no posto de Tenente-Coronel até a Proclamação da República, quando teve seu soldo abolido pelo Marechal Hermes da Fonseca.

Sendo identificado como padroeiro de incursões militares e batalhas, o santo frade acabou sincretizado com o orixá Ogum na Bahia, por exemplo.

À época da escravidão, os negros eram forçados a abjurar suas crenças por imposição da Igreja Católica Apostólica Romana, sendo também obrigados a adotarem para si nomes de santos, como Antônio, Benedito, José, João, Pedro etc. Na Umbanda, Santo Antônio é visto como um padrinho destes espíritos de escravos africanos, os pretos velhos, nomeando entidades desta falange.

Pode-se conjecturar uma ligação (mas não o sincretismo) de Santo Antônio com Exu porque o matrimônio sela um compromisso de continuidade dos homens (pela família). Exu é o movimento, a dinâmica da vida, promovendo a interação entre Criador e criaturas (comunicação) e a perpetuação dos seres (reprodução). O símbolo deste Orixá é o falo - órgão sexual masculino -, representando a fertilidade. Suas características controversas – provocador, brincalhão, astuto, sensual – o associaram à figura bíblica de Satanás. Por ferir a moral cristã, a Umbanda não o aculturou como divindade; cultua apenas espíritos homônimos de características análogas – os exus e pombogiras, devoltando-lhes homenagens em dia 13/6. Para os yorubá, etnia da qual herdamos a cultura dos Orixás, não existe conceito de pecado, nem divindade que seja a antítese de Deus (para eles, Olodumare).

“O pregador fala com os dois lábios, com a sua vida e a sua boa fama.” (Sto. Antônio de Pádua)